O conceito adotado para um projeto esteja ele no ramo arquitetônico, de interiores, de produto, gráfico, mecânico, enfim, é a chave para podermos traçar e desenvolver até o objetivo final aquilo que se deseja criar.

Um fator indispensável nas primeiras análises é o entorno que emana desse local ou produto, e as necessidades dos clientes.

Digamos aqui que um “pente fino” deve ser passado colhendo informações das mais minuciosas possíveis para que cada idéia seja colocada de maneira segura no projeto. Veja! Os detalhes fazem toda a diferença e, por isso, há de se deixar claro para cliente o motivo pelo qual necessitamos muitas vezes  entrar em sua intimidade para satisfazer mais completamente suas necessidades e desejos.

Falarei a seguir do conceito adotado em uma proposta que fiz no meu projeto de conclusão de curso. Aqui vocês poderão perceber que o conceito adotado poderia ter sido aplicado em qualquer tipo de ambiente, independente de ser um navio.

Neste caso, trata-se dos ambientes de um navio: o Grand Amazon, que certamente muitas pessoas já conhecem. Ele é um navio fluvial fabricado pelo estaleiro ERIN- Estaleiro Rio Negro (Manaus) e percorre os Rios Negro e Solimões levando turistas de todo o mundo a passeios incríveis que favorecem um conhecimento mais aprofundado da região Amazônica.

O objetivo dessa monografia foi proporcionar através da cultura brasileira a valorização do turismo e vice-versa, ou seja, proporcionar através do turismo a valorização da cultura brasileira.

Cultura brasileira, portanto, foi o conceito adotado. Veja a seguir algumas imagens enderizadas que irei explicar:

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No hall de entrada foi criada uma ponte entre o tecnológico e o artesanal voltados para a arte e costumes indígenas. Assim, quando o passageiro entrasse no navio, já começaria de imediato a incorporar aspectos fortes da nossa cultura.

Um balcão de polipropileno foi montado de frente à entrada principal com iluminação de LED. Listas verticais de papel de parede em motivos florais deram a sensação de pé direito mais alto.

Objetos como arco, flecha e cocares ficaram expostos com iluminação direta. Foram usadas Helicônias em vasos no paisagismo. Isso tudo para atribuir um cenário com técnicas de decoração e passar a mensagem principal.
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Por outro ângulo é possível perceber as cadeiras Multidão dos irmãos Campana, através das quais quis transmitir a miscigenação do povo brasileiro tão enraizada no país.

 
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E do outro lado, próximo à Boate, um local mais confortável e aconchegante para interação entre as pessoas que  ali buscassem esse propósito.
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Foram abordados também, temas mais regionais como por exemplo na criação do Chimarrão Café. Mais um local decorado com motivos culturais regionais proporcionando a oportunidade de experimentarem petiscos, como  um pão de queijo característico do povo mineiro,    bebidas e culinária de diversas regiões do país, bem como apreciar, também, obras de renomados profissionais em design e decoração do nosso país.

Assim sendo, fora utilizado cadeiras de Maurício de Azeredo, que se destaca pela mistura de tonalidades das madeiras que utiliza em uma mesma peça, as mesas Girafa criadas por Lina Bo Bardi, que trouxe grande conteúdo para a arte e arquitetura em nosso país.
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As cabines foram concebidas de acordo com a fauna e a flora da região. Usou-se  listas que lembrassem tons indígenas no caso dos quartos de casal.  Nos de solteiro, as cores da bandeira do Brasil, que seguiram os carpetes dos corredores  dando a sensação de maior unidade, quando se visualiza todo o complexo.

Um símbolo de sustentabilidade foi inserido também, para lembrar da responsabilidade que temos ao projetar, presente no banco Tauí de Sérgio Fahrer que representou o Brasil na Feira de Milão de 2005 e, nos armários com portas de correr feitos em Teca rústica.

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As áreas de banho das cabines, foram propostas com materiais de primeira linha como corian, vidrotil, box de vidro temperado, e uma cuba em formato de vitória- régia feita por Emannuel Filho.

Imagine planejar uma viagem turística para um lugar distante e cheio de peculiaridades e não aproveitar o que aquele contexto todo tem a lhe acrescentar em termos gerais.

Existem, obviamente, cuidados para que nesses ambientes não se estranhe muito com a comida diferente do local, por isso, mesmo tendo uma gama de variedades muito grande, em geral, segue-se a culinária internacional. Mesmo assim, é possível acrescentar como foi feito no projeto, quiosques de acarajé, de caipirinha, de tapioca e açaí na tigela e agregar valor ao projeto, agradando o cliente, levando-o a esse mundo tropical, com frutas exóticas, paisagens afrodisíacas, e fazê-lo retornar com consciência do que temos por aqui.
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A loja de Souvenirs é o local para divulgar além das “fronteiras” daquele ambiente, o que temos por aqui. Seria o local do marketing. Levar lembranças e presentes para quem não pôde vir, instigar através de objetos e histórias contadas a curiosidade e promover o setor turístico.

Por isso, ali conter inúmeros e variados  objetos locais, como redes, artesanatos em geral, jóias e bijuterias, bolsas feitas de escamas de peixes da região, livros, canecas, pratos, esculturas, máscaras, camisetas, bonés, etc.
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Na entrada do cinema, esculturas de baianas convidam os turistas a conhecerem  um pouco mais do nosso cinema nacional, sempre programado entre um passeio e outro para que possam descansar um pouco de tantas atividades oferecidas a bordo.
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No deck solar foram colocadas jardineiras com paisagismo adequado à região de clima quente e úmido Amazonense. Foi utilizado  um mobiliário da criação de Roque Frizzo, a Espreguiçadeira Ayty, encapada com tecidos especiais da Regatta em tons mais neutros, para destacar os guarda-sóis, que fazem ali uma homenagem ao frevo – dança característica do povo Pernambucano.
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O restaurante coberto no Deck Superior traz estofados no assento das cadeiras o tecido chitão, que também é uma característica marcante das festas juninas que acontecem em todo o país e  resgatam o rural, as raízes da terra. A paginação de piso foi dividida entre a grama sintética na área ensolarada e, na área coberta utilizado o porcelanato antiderrapante, e ainda, Eliane em tom claro. Recebeu detalhes para destaque próximos ao guarda-corpo, com azulejos hidráulicos, herança dos nossos colonizadores Portugueses.
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A academia teve um tratamento voltado para o futebol, destaque nacional. Na proposta existem equipamentos essenciais como, bicicleta ergométrica, elíptico, esteira, e cadeira de apoio. Por ser uma sala pequena foram utilizados espelhos para ampliar o espaço. O piso, de grama sintética, imita um campo de futebol. Na iluminação, pendentes com formato de bolas.

Espero ter contribuído um pouquinho sobre o assunto de “amarrar” os conceitos e concretizá-los através do projeto, favorecendo os argumentos e consequentemente adicionando valor e qualidade no ambiente.


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